segunda-feira, 30 de março de 2009


Olha-me
Veja-me
Beba-me
Estou aqui
Sinta-me
Toca-me
Nota-me
Não resisti
à sua atenção
Escrevo
Não desisti
Cortejo
Revelo o desejo
De ser desejada
Cotejo
O que posso ser pra vc
E o que realmente sou
Não vejo nada
Nenhum parâmetro
Só poesia
Mas escrevo
Só porque
Preciso
Afirma-me
Denota-me
Significa-me
Goste muito de mim






Ao seu murro
Ofereço minha boca
E depois
Meus dentes escancarados
Em sorriso
Para sangrar sua mão
E machucar seu rosto siso
De presente
Minha língua
Para chocar sua libido
E te ofender

Dou-te minha saliva
Num cuspi escondido
Cúspide inimigo
Cínico
Entre seu desejo e comigo
Confundindo
Para te fazer ficar

Por curiosidade
Você me oferece abrigo

domingo, 29 de março de 2009

sábado, 28 de março de 2009

O vazio
É o lugar do nada
Onde nada cabe
Só a ausência


Só as tristezas
podem pretender
preencher o vazio
Só o frio habita o estio
Sorrio,
Pois na verdade
Não há nada
Não é nada
Nada...

quinta-feira, 26 de março de 2009


Meus sonhos ficaram oprimidos
Apertados
Socados na mesma caixa em que guardo meu passado

No meu rosto já vejo o cansaço
Mas o que vejo pior
É a decepção
Complacente e conformada
Uma mulher
mais serena
Que simplesmente aceita
Aquilo que nunca imaginou
Que não seriam seus sonhos
Destes só resta o gosto amargo
E esse gosto
nem desfruta da língua
só alcança a garganta
Em um nó
Logo engolido

Mas de tudo isso
Me basta um abrigo
Um lugar que me esconda
Do que um dia eu quis
E que possa alguma hora
Me perturbar infeliz



Ao passado
Pendurada pela boca
Às palavras roucas
Meia ditas

Pendurada pela boca
Os lábios caídos
Pelos beijos que não verti
Escorrego pela saliva louca
Que carrego como veneno vil

Pendurada pela boca
Mordo com dentes que não usei
Que guardam toda força
Do mundo agressivo que engoli

Pendurada pela boca
Sinto o amargo do céu
Que cobre minha língua
As palavras poucas
Os beijos a míngua
Toda saliva que me preenche

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bailarina circense, Madonna de Paris em 1879, instável e esquisita...